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Nesta segunda parte de sua entrevista ao CRE (veja a primeira parte aqui), o ambientalista José Truda Palazzo Jr. comenta a importância do respeito aos guias de monitoramento na prospecção de petróleo e gás natural. Presidente da Coalizão Internacional da Vida Silvestre (IWC/BRASIL) no Brasil, integrante do Grupo Especial de Mamíferos Aquáticos do IBAMA, co-fundador do Projeto Baleia Franca com o Vice-Almirante Ibsen de Gusmão Câmara em 1982 e vice-comissário do Brasil na Comissão Internacional Baleeira (CIB) – atualmente, comissário interino –, Truda explica ainda que a caça não é a única inimiga das baleias, que têm que sobreviver a colisões com embarcações e às mudanças climáticas.

CRE: Fale de algumas espécies de baleia hoje ameaçadas?

Truda: A baleia azul tem 11 mil exemplares no mundo. No Brasil, a última foi vista em 1965, e foi morta por japoneses. Há cerca de 8 mil baleias franca no mundo, 650 delas no Brasil, basicamente em Santa Catarina. Antes iam até a Bahia. Essa população encolheu muito com a caça, mas agora voltou a se expandir, e algumas já estão sendo vistas na região Sudeste. A baleia franca do Atlântico Norte é que está muito mal, só há cerca de 300 no mundo. Sofre principalmente com a colisão com embarcações. Os Estados Unidos têm gasto milhões de dólares para evitar isso, mas as colisões continuam, já que elas freqüentam uma região de tráfego marinho muito intenso.

Então a caça não é a única grande inimiga das baleias?

Uma das razões para querermos logo resolver esse problema da caça, este ano, é para ter tempo de nos dedicarmos às outras questões, que vão da colisão com embarcações até às mudanças climáticas por causa do aquecimento global. Na próxima reunião do CIB, em junho, haverá um grande workshop sobre o impacto da mudança climática sobre as populações de baleias.

E a prospecção de petróleo? Qual o impacto que ela pode ter nas baleias, golfinhos e peixe-bois que vivem no litoral brasileiro?

Tem duas coisas: prospecção e retirada do óleo. Na fase de prospecção, o grande problema são as atividades sísmicas, que podem causar graves danos. Mas, através dos guias de monitoramento da ANP (Agência Nacional de Petróleo), há um bom controle sobre isso. Áreas importantes para a reprodução de cetáceos, como Abrolhos, por exemplo, estão fora dos leilões. Depois vem a retirada do petróleo que, se for bem feita, não causa impacto.

Os guias de monitoramento atuais são suficientes?

Os guias são importantes porque a ANP abriu as portas para autoridades e pesquisadores ambientais participarem de sua confecção. Isso foi fundamental para que os guias realmente atendam às necessidades ambientais em relação aos cetáceos. Nesse sentido, o Brasil está na vanguarda.

Há uma boa fiscalização, para garantir que essa lei seja cumprida? O Brasil defende bem o meio marinho?

Sim, razoavelmente bem. Há observadores de bordo nos navios de sísmica e há uma série de mapas de sensibilidade em áreas de concentração, principalmente de baleias franca e jubarte. Há também estudos para golfinhos e peixes-boi.

Na semana que vem, as perspectivas de expansão do turismo de observação de baleias.

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