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Uma arrecadação recorde, que dobrou a estimativa inicial, mas que poderia ser até cinco vezes maior. Essa contabilidade que parece complicada foi o resultado da 9ª Rodada de Licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), realizada ontem no Rio de Janeiro. No leilão – previsto para continuar hoje, mas que durou apenas um dia –, o governo obteve R$ 2,109 bilhões, ultrapassando a marca de R$ 1,08 bilhão da 7ª Rodada e a expectativa de somar valor semelhante nesta etapa.

No entanto, a retirada de 41 blocos localizados próximos ao recém-descoberto megacampo de Tupi afastou grandes empresas estrangeiras e diminuiu a possibilidade de lucro. Gigantes petrolíferas como Shell, Exxon e Chevron não participaram, pois deixaram de se interessar pela rodada. Segundo o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, o valor poderia chegar a R$ 8 bilhões ou R$ 10 bilhões, caso as áreas excluídas também estivessem em disputa.

Dos 271 blocos que faziam parte da rodada, apenas 177 interessaram aos investidores. O grupo liderado pela estreante OGX, do empresário Eike Batista, foi responsável por 75% da arrecadação ao desembolsar R$ 1,567 bilhão para adquirir a concessão de 21 áreas. Entre eles, está a que recebeu o maior lance (R$ 344 milhões), na Bacia de Santos. Subsidiária do grupo EBX – que reúne de empresas de mineração a fábrica de automóveis –, a OGX tem em seu quadro muitos executivos que pertenceram à Petrobras.

Outro conglomerado brasileiro que estreou no setor foi a Vale do Rio Doce. Em parcerias – algumas com a Petrobras –, investiu R$ 88,4 milhões para ganhar a concessão de explorar nove áreas, ricas sobretudo em gás. Já a estatal brasileira do petróleo, que sempre foi destaque nos leilões anteriores, atuou timidamente desta vez: arrematou por R$ 296,5 milhões 27 dos 56 blocos que disputou.

Em entrevista depois das licitações, Haroldo Lima considerou o resultado “positivo e surpreendente”. “A retirada dos blocos não significou esvaziamento do leilão. Há quem, inclusive, interprete que significou um incentivo e um despertar de algumas empresas para a importância da rodada. As brasileiras se organizaram e apareceram com um destemor e uma capacidade de arrematar muito grandes”, afirmou.

O diretor-geral da ANP confirmou que a 8ª Rodada – suspensa ano passado por uma briga judicial entre concorrentes – será completada no início do próximo ano e anunciou que haverá pequenas licitações de áreas do Nordeste. Segundo o ministro interino das Minas e Energia, Nelson Hubner, o montante atingido pelo leilão comprovou o grande interesse pelo setor de petróleo e gás no Brasil.

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