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Em apenas sete minutos, o consórcio Madeira Brasil (Odebrecht Investimentos, Construtora Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig, Furnas e bancos Banif e Santander) venceu hoje o leilão da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira. O preço oferecido ficou em R$ 78,87 por megawatt/hora, enquanto o valor máximo estipulado pelo governo era de R$ 122 por megawatt/hora – um deságio de 35%. O consórcio vai construir e explorar a usina hidrelétrica de Santo Antônio, no estado de Rondônia, em plena Amazônia.

A disputa foi rápida, mas o início do processo foi marcado por tumulto. Um grupo de manifestantes invadiu o prédio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília, ainda de madrugada. Eles chegaram a depredar uma das salas até que foram retirados pela Polícia Militar. Só depois de três horas de confusões o leilão pôde ser realizado.

A central será a primeira de duas usinas no Rio Madeira – a outra, a de Jirau, que possui o mesmo porte, está com o leilão marcado para maio de 2008. Esse é o primeiro grande investimento hidrelétrico depois de 13 anos. Uma novidade na concorrência é a consolidação de parcerias entre empresas do governo e a iniciativa privada para tocar as obras. Até os anos 80, havia um monopólio do estado no setor. Depois, durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, companhias privadas ergueram usinas.

O grupo Madeira Brasil, por exemplo, tem a participação da estatal Furnas e conta com a Odebrecht Investimentos, Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig e os bancos Banif e Santander. Venceu dois outros consórcios: o Energia Sustentável do Brasil, formado pela francesa Suez Energy e a Eletrosul, pertencente ao governo; e o Empresas de Investimentos Santo Antônio, que reúne a Camargo Corrêa, a CPFL, a espanhola Endesa e a estatal Chesf.

O consórcio vencedor era apontado como favorito, pois já havia gasto R$ 150 milhões (US$ 75 milhões) com estudos na região do futuro empreendimento. Segundo cálculos do governo, a construção da usina – que deverá entrar em atividade em 2012 – custará R$ 9,5 bilhões e vai gerar 3.150 MW/h. A obra é considerada fundamental para evitar racionamento de energia na próxima década.

Antes do início da construção, o consórcio Madeira Brasil precisará obter duas licenças do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). A primeira – de instalação – libera as obras e a segunda – de operação – permite o início do funcionamento da usina. Em julho, o Ibama concedeu a licença prévia de Santo Antônio, o que possibilitou a realização do leilão. Na época, foram estabelecidas 33 condicionantes que o grupo que arrematasse o negócio teria que cumprir, entre elas o acompanhamento do período de reprodução de peixes e a medição periódica da concentração de mercúrio na água.

Com as usinas do Rio Madeira, o governo espera inaugurar um novo ciclo. Ao contrário de outras unidades construídas no país, as futuras centrais são “ecologicamente corretas”. Em vez de inundarem milhares de quilômetros, destruindo a flora e a fauna, para criar grandes lagos que abasteçam suas turbinas, as novas vão aproveitar apenas a velocidade do rio. Essa mudança de perfil, no entanto, acarretará um custo maior de geração e a produção de uma energia mais cara, já que não há garantias de um fluxo d’água com a mesma intensidade em períodos de seca.

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