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Uma declaração do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, provocou ontem forte especulação no mercado financeiro brasileiro. Em pleno horário de funcionamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o dirigente anunciou a descoberta pela Petrobras, no megacampo de Carioca, na Bacia de Santos, de reservas que poderiam atingir 33 bilhões de barris de petróleo. A quantidade seria cinco vezes maior do que a da jazida de Tupi, transformando-se na maior descoberta mundial em 30 anos e o terceiro maior campo já encontrado no planeta. As ações da empresa dispararam: os papéis com direito a voto subiram até 9,5% e os ordinários chegaram a 7,57%, fechando o dia a 5,62%. No meio desse clima de turbulência, a estatal informou que o volume da reserva não estava confirmado.

Essa corrida especulativa movimentou R$ 2,2 bilhões, 48% do total da Bovespa, e provocou uma avalanche de críticas ao diretor da agência. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – órgão que regula o mercado financeiro – divulgou nota condenando as declarações: “A CVM considera prejudicial a divulgação de informações sobre companhias abertas por pessoas que não façam parte de sua administração ou que não sejam seus porta-vozes. Especialmente se forem informações com potencial de influenciar os preços das ações negociadas no mercado e a decisão dos investidores de comprar ou vender”. Parlamentares de oposição disseram que vão convocar Haroldo Lima para prestar esclarecimentos no Congresso Nacional. Alguns deles defenderam que o diretor-geral da ANP seja punido. Dentro do governo, também houve mal-estar. “Esse tipo de anúncio me parece que não pode ser feito desse jeito. É importante confirmar a descoberta oficial”, afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Ao fazer o anúncio, durante o 4° Seminário de Petróleo e Gás, no Rio de Janeiro, Lima admitiu que a notícia sobre a descoberta gigante só havia chegado informalmente à ANP. De acordo com a Petrobras, é preciso perfurar novos poços para estimar o tamanho da reserva. O consórcio que explora a área de carioca é formado pela estatal brasileira (45%), pela britânica BG (30%) e pela hispano-argentina Repsol-YPF (25%). Em setembro, o grupo comunicou ter encontrado petróleo pela primeira vez no local. No fim do mês passado, começou a segunda perfuração, mas os resultados ainda não foram divulgados.

No fim da tarde, a ANP emitiu uma nota afirmando que as informações sobre a descoberta eram de conhecimento público, tendo sido publicadas na edição de fevereiro da revista World Oil, embora ainda não sejam oficiais. Em suas declarações, Lima deixou claro que os dados sobre a jazida foram obtidos junto à operadora da área, a Petrobras.

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