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Símbolo da luta pela preservação da Amazônia, a senadora Marina Silva pediu afastamento do Ministério do Meio Ambiente na semana passada. Dentro e fora do Brasil, a saída foi encarada como vitória do agronegócio sobre os defensores do desenvolvimento sustentável. Isso porque Marina sempre se posicionou contra a expansão da agricultura e pecuária sobre a floresta amazônica e era criticada dentro do próprio governo pela demora no licenciamento ambiental de grandes empreendimentos, função do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), órgão sob sua responsabilidade. Agora, a pressão recai sobre o novo titular da pasta: Carlos Minc, um combativo ambientalista conhecido por ações em centros urbanos, mas que assume não ser um especialista no tema que mais desperta as atenções internacionais – a Amazônia.

Antes do convite para o ministério, Minc era secretário de Meio Ambiente do estado do Rio de Janeiro, onde teve desempenho destacado. Em 17 meses, concedeu 2.608 licenças, mesmo número registrado em três anos da gestão anterior. A marca foi alcançada graças à redução da burocracia, o que diminuiu pela metade o tempo de liberação dos projetos. “Mais burocracia não significa mais rigor em relação às exigências ambientais. Ao contrário, a burocracia é a mãe da corrupção”, afirmou, para em seguida frisar que não pretende mudar os critérios estabelecidos por sua antecessora: “Se alguém acha que, com minha história, eu vou para Brasília ser um anti-Marina, abrir a Amazônia para o capital interno e internacional, está absolutamente equivocado”.

O futuro ministro manteve nas principais funções, sobretudo os que envolvem a Amazônia, os nomes da equipe de Marina. E, mesmo antes de assumir o cargo oficialmente, já travou um duelo verbal pela imprensa com o governador do estado de Mato Grosso, Blairo Maggi, o maior plantador de soja do país. Defendeu a proibição de concessão de crédito agrícola a quem destrói matas, a presença da polícia e do Exército para cuidar das unidades de preservação e a criação de cláusulas ambientais nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Como prova de que não está disposto a fugir da briga, Minc revelou que, na segunda-feira, quando forem divulgados os mais recentes índices de desmatamento no país, o Mato Grosso vai aparecer como líder na derrubada de árvores.

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