Estudos Especiais do CRE


A descoberta do campo de Tupi, um gigantesco lençol petrolífero abaixo da camada de sal da Bacia de Campos, foi possível depois da perfuração de dois poços. O primeiro com resultado positivo fica a 286 quilômetros da costa sul do Rio de Janeiro; o segundo fica um pouco mais a sudoeste. Em parceira com as sócias – a portuguesa Petrogal e a britânica BG –, a Petrobras iniciou os testes no local em julho de 2006. Mas só em fevereiro eles se intensificaram, depois que foi aprovado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) um plano de avaliação de jazidas de óleo leve.

Em Tupi, há estimativa de capacidade entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris desse tipo de óleo, que é mais fácil de ser retirado dos poços e possui valor de mercado mais elevado por produzir quantidade maior de produtos. Atualmente, o Brasil é importador de óleo leve, pois na Bacia de Campos, que concentra 90% da produção nacional, o petróleo descoberto até hoje é mais pesado.

Quando foi anunciada no mês passado a descoberta, muitos se surpreenderam. No entanto, há alguns meses o volume existente no local já é objeto de discussão. Na fim de agosto, o banco Credit Suisse divulgou um relatório informando que executivos de uma das sócias da Petrobras estavam otimistas quanto a possibilidade de o campo possuir reserva de 10 bilhões de barris. Na ocasião, a estatal desmentiu, comunicando que a jazida ainda estava em análise.

Mas já estava claro que testes mostravam alta produtividade de óleo e gás em Tupi. Usando embarcações dotadas de uma espécie de ultra-som, a Petrobras estudou as características geofísicas da área. Baseada nessas informações, são retiradas amostras e perfurados poços. Depois, verifica-se a qualidade do combustível. O “ultra-som” também ajuda a estimar o tamanho da reserva, a espessura da camada em que se encontra o petróleo e o gás. Com esses dados, calcula-se o volume de combustível no local. A Petrobras encontrou combustível com a mesma densidade e característica em 8 dos 15 poços perfurados que foram testados ao longo da faixa. Todos produziram óleo leve e gás natural associado.

Para extrair petróleo da área de Tupi, a Petrobras pretende aproveitar a experiência em outros campos. Um deles é o de Cachalote, no Espírito Santo, primeiro de área pré-sal em operação no Brasil, 100% pertencente à Petrobras. Por ficar a cerca de 50 quilômetros da costa, a companhia poderá utilizar um oleoduto para fazer ligação entre a plataforma e uma base terrestre. A estatal decidiu investir mais pesadamente no local, já com vistas a exploração de Tupi.

O plano em Cachalote é "ignorar" o petróleo pesado já descoberto na área de concessão e ir mais fundo, até abaixo da camada de sal para explorar o óleo leve já encontrado. Outro campo que deverá servir como experiência é o Carioca, vizinho ao de Tupi, onde também foram encontradas reservas na camada pré-sal. A área é controlada pela Petrobras, BB e a espanhola Repsol.

Um relatório da consultoria americana PFC Energy estima que a Petrobras precisará gastar de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões para desenvolver a produção em Tupi (em 2013), o que representa 17,85% do total de investimentos programados no plano estratégico 2008-2012, onde estão previstos investimentos de US$ 112 bilhões, não incluindo Tupi. Essa avaliação tem como base a atual forma de produção, em plataformas flutuantes. Especialistas acreditam que será preciso desenvolver novos métodos com custos menores.
No relatório da consultoria americana, destacou-se ainda o fato de que a descoberta de óleo leve deverá levar a Petrobras a rever os planos de conversão de suas refinarias, que estão sendo adaptadas para processar óleo pesado.

Segundo projeções, a Petrobras poderá produzir pelo menos 1 milhão de barris por dia quando o campo de Tupi – concedido em 2000 durante a 2ª Rodada de Licitações – entrar em atividade. A quantidade é quase o dobro do maior campo brasileiro, o de Marlim, de onde são extraídos 650 mil barris/dia.

Ainda não se sabe se a faixa a pré-sal possui uma acumulação contínua de petróleo ou se há vários campos gigantes próximos um do outro, que guardariam 80 bilhões de barris de petróleo. Na Petrobras, a aposta é sobre a existência de "dezenas" de campos em grande profundidade do mesmo porte de Tupi, intercalados ao longo de 800 quilômetros entre o Espírito Santo e Santa Catarina.

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